ginseng

ginseng
loja greenbell

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A MEDICINA NACIONAL DOS COREANOS

MEDICINA ORIENTAL,


A Medicina Oriental possui muitos nomes na Coréia, como Medicina Oriental, Tonguihak, Medicina Nacional, Hanuihak e outros. A expressão Medicina Oriental em coreano, não apenas significa que é a medicina utilizada na Coréia, mas também significa que é a medicina própria da Coréia, embora seja traduzida por Medicina Oriental em Português.
Pelo fato de terem havido muitas influências culturais entre a Coréia e a China, não há dúvida que a Medicina Oriental da Coréia inclui muitas características da Medicina Chinesa. No entanto, a China e a Coréia possuem climas, solos, pessoas e produtos diferentes. Desta forma, os Coreanos desenvolveram uma medicina original que se adapta à suas próprias características.
Até há cem anos atrás, quando a medicina ocidental foi introduzida, os Coreanos mantinham sua saúde confiando apenas na medicina nacional. As experiências médicas do povo Coreano acumuladas em sua história, embora em alguns casos elas fossem consideradas remédios populares, se tornaram uma aquisição marcante na história médica da Coréia.
Após o governo colonial japonês, durante o qual o Japão impôs-se sobre o nacionalismo Coreano e forçou a cultura ocidental aos Coreanos, parecia que as coisas coreanas haviam perdido seu valor e eram até mesmo desprezadas, enquanto que a cultura ocidental tinha a preferência. No entanto, à medida que as pessoas gradualmente perceberam o lado cego da medicina ocidental, eles se voltaram para a sua cultura, para as coisas coreanas e naturais. Desta forma, a Medicina Oriental se tornou o que é hoje.
Durante a dinastia Chosun, o rei Sejong pensou que as ervas medicinais que cresciam no solo coreano eram mais efetivas em curar as doenças dos coreanos que as chinesas, de difícil obtenção. Nossos ancestrais sabiam, por experiência própria, que, na realidade, os recursos médicos disponíveis em uma determinada região eram mais eficazes para tratar os pacientes que vivessem naquela região. Isto é o que chamamos “Você é aquilo que você come”. Isto também significa que o corpo humano e o solo onde ele vive afetam-se mutuamente e têm um estreito relacionamento. Neste contexto, o desenvolvimento das ervas medicinais da Coréia não é apenas bom para a produção de recursos médicos, mas importante para a redescoberta da tradição e para o desenvolvimento da Medicina Oriental.

MEDICINA ORIENTAL, MEDICINA TRADICIONAL E REMÉDIOS POPULARES

Através de sua longa história, desde a sua origem na antiga China, a Medicina Oriental tem enfatizado o cuidado com a dieta para prevenir e tratar doenças e preservar a saúde. Neste processo, as pessoas observaram a natureza das coisas e os princípios de mudanças na natureza. Isto resultou na filosofia médica e na base da teoria médica. Isto, combinado a experiências clínicas, edificou a Medicina Oriental de hoje.
A Medicina Oriental é inestimável como medicina tradicional. Por medicina tradicional queremos dizer a experiência acumulada por nossos ancestrais desenvolvida na forma de medicina. Ela deve contribuir para o desenvolvimento da tecnologia médica. Em outras palavras, ela não é nada mais que a medicina herdada dos antepassados e complementada com novas teorias.
Nós classificamos a medicina tradicional em três estágios. Primeiro, remédios caseiros – acúmulo de experiências. Segundo, medicina primitiva – experiências envolvendo a medicina sob a base teórica. Terceiro, a medicina orientada para o futuro – levando à medicina de hoje. Neste sentido, a Medicina Oriental não é meramente a combinação de remédios caseiros e uma medicina elementar e primitiva, mas a medicina tradicional dos Coreanos.
O acúmulo de experiências resulta de uma forma primitiva de pensar, de curas e atos médicos instintivos. A forma primitiva de pensar, neste contexto, é baseada na crença e no analogismo de que as coisas na natureza irão funcionar da forma que elas parecem. Assim como animais curam-se instintivamente, repetindo atos curativos para protegerem-se intuitivamente, o homem aprendeu maneiras de tratar doenças. Da mesma forma, que no processo de procurar por alimento, o homem descobriu o que era comestível do que não era, ao mesmo tempo, veio a descobrir empiricamente o que era efetivo para reduzir a dor. Ao fazer isto, os remédios caseiros gradualmente passaram a existir.
Então, o que distingue os remédios caseiros do tratamento da Medicina Oriental? Ao usarmos os remédios caseiros, nós esperamos que os recursos médicos naturais que nós usamos funcionem nos pacientes. Por outro lado, a Medicina Oriental se distingue claramente por prescrevermos uma quantidade apropriada de ervas medicinais misturadas de acordo com certos princípios da teoria médica oriental. Em outras palavras, nós prescrevemos uma combinações de medicamentos levando em consideração o efeito sinérgico e a maior eficiência que eles terão quando misturados entre si.
É correto dizer que o tratamento médico pela Medicina Oriental é um tipo de remédio caseiro definido através da teoria médica oriental. Os remédios caseiros que têm sido usados através da história de nosso povo são muito numerosos. Assim como nossos ancestrais que escreveram muitos livros médicos, incluindo o Tonguibogam que contém os tratamentos mais eficazes, nós devemos ficar atentos para descobrir os medicamentos mais eficazes e tratamentos com remédios caseiros e lançar uma nova luz sobre os remédios caseiros a partir de um ponto de vista médico moderno.
Hoje em dia, a Medicina Oriental, como a medicina tradicional da Coréia, está contribuindo para a sociedade e para o desenvolvimento da medicina. Sob esta perspectiva, a Medicina Oriental da Coréia, merece ser chamada de medicina oriental.

MEDICINA ORIENTAL E MEDICINA OCIDENTAL

Como é bem sabido, a medicina Ocidental explica as funções de todo o corpo, bem como das células e bactérias com base em um conhecimento anatômico. Na medicina ocidental, os médicos tratam a parte envolvida, considerando que uma mudança naquela parte causou a doença. Portanto, a doença é nomeada seguida do nome da parte anatômica. Para o tratamento, os médicos prescrevem remédios que funcionam sobre o órgão problemático. Por exemplo, pensa-se que uma doença é a doença de uma parte do corpo, como por exemplo estômago ou coração, e que o remédio deve funcionar sobre estas partes do sistema.
Comparativamente, a Medicina Oriental considera o corpo humano como um todo, com os órgãos e tecidos interagindo entre si. Uma doença é uma mudança no corpo causada por certos fatores e a mudança é a resposta do corpo às causas internas e externas. Os sintomas estão inter-relacionados uns aos outros e não são independentes uns dos outros.
Mesmo que não haja nenhuma mudança no exame clínico, se um paciente sente um sintoma, ele tem um bom motivo para considerá-lo um sintoma de uma doença.
Na Medicina Oriental nós identificamos padrões de fenômenos biológicos como Yin e Yang e Cheio e Vazio. Nós vemos o estado vulnerável à doença como síndrome Yin e o estado reativo à ela como síndrome Yang. Portanto, nós não prescrevemos o mesmo remédio a todos os pacientes com tosse. As prescrições diferem de acordo com a condição Yin ou Yang, Cheio ou Vazio.
Os recursos terapêuticos médicos orientais incluem produtos naturais, tais como animais, ervas e minerais. Entre eles, as ervas, incluindo folhas, cascas, frutos e raízes são as mais freqüentes. Nós cortamos as ervas em pedaços para o uso ou, às vezes, as embebemos em líquidos ou água salgada ou as tostamos para aumentar sua eficácia ou remover o veneno das ervas.
A Medicina Ocidental e a Medicina Oriental têm conceitos diferentes sobre eficácia médica. A primeira está mais preocupada com quais componentes dos medicamentos ocidentais mostram efeitos e se detém nas propriedades e características do medicamento. O forte da Medicina Oriental é que os recursos médicos se constituem principalmente de produtos naturais. Nós freqüentemente descobrimos fenômenos interessantes na mistura de ervas medicinais. A toxicidade é reduzida e a eficácia intensificada, quando combinadas a outros medicamentos.
A segurança da Medicina Oriental tem sido verificada empiricamente através de seu longo uso na história. Ao passo que, a experiência nos diz que, apesar de testes clínicos e em animais, os remédios artificiais ocidentais mostram novos efeitos colaterais à medida que o tempo passa, o que preocupa muitos pesquisadores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está promovendo um novo sistema médico, que adota os pontos fortes de ambas as medicinas de cada região. Em particular, a OMS tem uma política básica para desenvolver e financiar a pesquisa de medicina naturais, como a Medicina Oriental. A OMS também enfatiza o papel complementar da Medicina Tradicional e da Medicina Ocidental na declaração de Alma Ata, de 1978.
A Medicina Ocidental e a Medicina Oriental se complementam. A Medicina Oriental é muito eficaz nos seguintes casos:
1. No diagnóstico e tratamento de doenças funcionais do corpo.
2. No diagnóstico precoce e na prevenção de doenças crônicas degenerativas.
3. No diagnóstico e tratamento de epidemias que se espalham em uma vasta área rapidamente.
Em comparação, o mérito da Medicina Ocidental pode ser verificado nos seguintes casos:
1. No diagnóstico e tratamento de doenças provocadas por acidentes.
2. No diagnóstico e tratamento preventivo de doenças bacterianas e virais.
3. No comprometimento da função de órgãos severamente doentes.
Os pontos fortes de cada medicina salientados pela OMS não significam superioridade de uma sobre a outra, mas demonstram que as duas medicinas são complementares. Portanto, é seguro dizer que a Medicina Oriental é um recurso tão importante para a raça humana, como o é para o povo Coreano.

MEDICINA ORIENTAL
MEDICINA OCIDENTAL
Filosófica
Científica
Abrangente
Analítica
Holística
Estuda as partes
Medicina interna
Medicina cirúrgica
Padrões de desarmonia
Doenças isoladas
Teórica
Experimental
Medicina individual
Medicina geral
Prevenção constitucional
Bacteriologia
Patologia dos fluidos
Patologia bacteriana
Ênfase nos sintomas subjetivos
Ênfase nos sintomas objetivos
Medicamentos naturais
Medicamentos químicos

ORIGEM DA MEDICINA ORIENTAL

A Medicina Oriental se originou da antiga China. Documentos dizem que legendárias figuras como Huang Di influenciaram muito a origem da Medicina Oriental.
O “Huang Di – Nei Jing” que é considerado a bíblia da Medicina Oriental recebeu o nome do legendário imperador. Shinnong escreveu sobre a eficácia de várias ervas. O “Shinnong – bonchogyung ” é o livro dos livros sobre ervas medicinais. No entanto, muitos duvidam que estes livros foram, de fato, escritos por tais figuras como imperadores e Shinnong. O livro demonstra que a necessidade da medicina e da pesquisa médica recebiam importância naqueles tempos.
Depois da época da Guerra dos Estados, a Medicina Oriental da China não andava mais a passos de bebê e estava equipada com sólida base teórica e técnica. Acredita-se que o Huang Di – Nei Jing e o Shinnong – bonchogyung foram escritos por volta desta época. Na Han seguinte Jang Joong Gyung que publicou “Sanghanron” foi o maior colaborador para o desenvolvimento da medicina clínica.
Durante a dinastia Sung, a medicina popular foi influenciada pelo desenvolvimento da filosofia. O principal interesse das pessoas passou das prescrições e terapias para as teorias médicas. E, desta forma, a estrutura da Medicina Oriental se firmou. Com o desenvolvimento teórico, Yin-Yang e os Cinco Elementos se expandiram para a teoria da abreviação das cinco fases circulares e das seis influências climáticas.
Foi na época Keum Won que a Medicina Oriental mais floresceu. Naquela época, guerras e epidemias ceifaram muitas vidas. Muitos esforços foram feitos para salvar as vidas das pessoas. Muitos médicos famosos, incluindo os quatro mestres famosos, Yu Ha Gan, Jang Ja Hwa, Lee Dong Won e Ju Dan Kye , viveram nesta época.
A Onbyonghak (Teoria das Doenças Febris) despontou como um novo ramo da Medicina Oriental a partir da dinastia Ming até a dinastia Ching e enriqueceu a teoria médica e tecnologia clínica. Onbyong ( - Doenças Febris) significa as doenças agudas, incluindo as febres epidêmicas. Baseada nas teorias médicas existentes, a Teoria das Doenças Febris constituiu-se em um dos maiores ramos da Medicina Oriental ao fornecer a chave para a vitória no combate às pragas e epidemias.

A INTRODUÇÃO DA MEDICINA ORIENTAL NA PENÍNSULA COREANA

Um livro japonês é o primeiro e mais antigo documento que diz que a Coréia importou livros médicos Chineses. No terceiro ano do governo do Rei Pyongwon, Koguryo (AC37-668), Jichong levaram da China 164 livros para o Japão através de Koguryo. Enquanto isso, importantes livros médicos, por exemplo, “Huang Di – Nei Jing”, “Uekyung ”, Shinnong-bonchogyung, “Myunguibyulrok ”, “Myungdangdo” foram introduzidos na Coréia. Um pouco mais tarde Paekje (AC18-660) importou livros médicos de muitos países. Os conteúdos dos livros estão incluídos no “Paekje-sinjibbang ”.
Durante a dinastia Koryo (932-1392), as pessoas não mais estavam satisfeitas em simplesmente importar livros médicos e gradualmente criaram uma nova medicina que se adaptasse às necessidades do país. Embora não tivesse havido importante progresso teórico, esforços foram realizados no sentido de procurar por ervas medicinais e prescrições que fossem mais adequadas aos coreanos.
Durante a dinastia Chosun, surgiu uma nova teoria médica que não ficava devendo nada à tradicional Medicina Chinesa. Estas teorias estão contidas na “Coleção de Ervas Medicinais Coreanas” e no “Tonguibogam”. O primeiro é uma compilação das prescrições dos livros médicos publicados na dinastia Koryo e tinha a meta de informar ao público em geral sobre as ervas medicinais coreanas. O último é diferente dos outros livros na forma como foi editado. O “Tonguibogam” aborda amplamente os livros médicos publicados até aquela época, aceitando a teoria dos quatro mestres da idade Keum Won. O que foi interessante é que, embora ele tenha sido inspirado pelas teorias dos quatro mestres Chineses, a China, apreciando a excelente edição, importou o livro da Coréia.
Comparativamente ao período anterior à publicação do “Tonguibogam”, a Medicina Oriental se estabeleceu como Medicina Coreana depois da publicação do “Tonguibogam”. O orgulho nacional se reflete no título do livro, pela palavra Tongui indica medicina Coreana. A medicina Oriental da dinastia Chosun avançou a largos passos durante o governo do Rei Sejong e a pesquisa e distribuição de ervas medicinais Coreanas levou ao progresso no combate às doenças entre os coreanos. A publicação do “Tonguibogam” elevou a medicina Oriental da Coréia e colocou-a ao nível da Medicina Chinesa.
No final da dinastia Chosun, a medicina Oriental passou por outro fato transformador. Foi, nada menos do que o livro escrito por Lee Je Ma (1836-1900) “Tonguisusebowon”. Lee Je Ma defendia a teoria constitucional que era totalmente diferente das outras teorias existentes. A teoria estabelecida por ele é Sasang (medicina constitucional) que explica a patologia peculiar à cada constituição e sugere um tratamento específico para cada constituição.

MEDICINA ORIENTAL NO MUNDO

1. CHINA
A China tem uma meta ambiciosa de liderar o setor médico mundial no século 21 com a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Com este objetivo, a China está fazendo esforços para desenvolver a MTC, sustentar a sua superioridade ao fortalecer a cooperação entre a Medicina Tradicional Chinesa e a Medicina Ocidental e modernizando a MTC com moderna tecnologia. O governo Chinês tem tomado a iniciativa em estimular o desenvolvimento da MTC, garantindo o apoio estável e o fornecimento de recursos naturais.
O governo Chinês declarou sua intenção de promover a MTC no artigo 21 de sua constituição. O governo central criou um órgão oficial para coordenar a MTC, com status de ministério. O Instituto de Pesquisa Médica Tradicional Chinesa dirige cinco centros de pesquisa, organizações filiadas e dois hospitais. Além deles, há trinta e um centros de pesquisa da Medicina Tradicional Chinesa e 46 institutos de pesquisa.
Existem cerca de 232.000 médicos praticantes da Medicina Tradicional Chinesa e 500.000 pessoas na área médica tradicional Chinesa. Cerca de 50 Institutos de MTC produzem 30.000 novos médicos tradicionais Chineses a cada ano. Resultados bem sucedidos foram mostrados na pesquisa do câncer, acupuntura com terapia medicamentosa, anestesia por acupuntura, etc..

2. TAIWAN
Em Taiwan também, o governo está desempenhando um papel decisivo no desenvolvimento da MTC. O Centro Nacional de Pesquisas sobre Medicina Tradicional Chinesa está trabalhando na modernização da MTC e na combinação entre a MTC e a Medicina Ocidental. O Centro de Pesquisas em Acupuntura dentro da Academia Médica Chinesa está treinando médicos de Taiwan e de outros países.

3. VIETNAM
A Associação Médica Tradicional Vietnamita foi fundada em 1957 devido à idéia de que sustentar a tradição é patriótico e conduz ao desenvolvimento da medicina tradicional. Ela trabalha para promover a saúde pública, para o desenvolvimento da medicina Oriental e para desenvolver a medicina socialista Oriental. Ela possui organizações locais em 53 províncias e suas associações locais estão localizadas onde estão os institutos médicos de pesquisa. Em 1993, o número de membros associados era de 25.400 e cada uma das 2.015 clínicas distritais possuía uma divisão de controle da medicina Oriental. Também há um escritório central de controle que controla e supervisiona as divisões de controle locais.
Os médicos tradicionais vietnamitas devem passar por um curso de educação médica antes de começarem a praticar a medicina. Neste sentido, a Associação Médica Tradicional Vietnamita enfatiza a educação, divulga suas experiências e conhecimento à nação e eleva a consciência do público em geral sobre a medicina Oriental, que deve ser a medicina nacional. A Associação tem clínicas nas quais os médicos tratam os pacientes gratuitamente ou a custos mínimos. Para aumentar o número de médicos praticantes da medicina Oriental, a Associação está dando prioridade ao treinamento de jovens médicos praticantes da medicina Oriental.
A Associação central organiza programas de treinamento sete vezes ao ano, ao passo que 11 associações locais que possuem clubes de medicina natural têm seus próprios programas educacionais. Paralelamente à publicação de livros sobre medicina Oriental e ao correspondente trabalho de tradução realizado pela Associação central, nove associações locais também publicam livros médicos independentemente. Até agora, 240 jornais de Medicina Oriental Vietnamita estão sendo publicados. A Associação está constantemente em busca de aperfeiçoamento no campo médico e prestando serviços médicos a pelo menos 30 milhões de pessoas de sua população total de 75 milhões de habitantes. Para isto, a Associação destaca a importância do desenvolvimento da medicina Oriental.
Como um país socialista, o Vietnam está equipado com um sistema de governo centralizado, o que explica a forte liderança da Associação Médica Tradicional Vietnamita no campo da medicina tradicional.

4. JAPÃO
Embora o Japão tenha escolas de acupuntura, estas escolas não produzem médicos praticantes da medicina Oriental. No entanto, os médicos interessados na medicina Oriental criaram a Associação Médica Oriental, com cerca de 8.500 associados. Entretanto, o Centro de Pesquisa sobre Medicina Oriental, designado como centro de cooperação em pesquisa sobre medicina tradicional da Organização Mundial da Saúde, fornece treinamento no exterior, desenvolve a acupuntura e a metodologia de pesquisa na medicina Oriental, determina o padrão de qualidade das ervas medicinais e realiza o intercâmbio de livros e informações com outras instituições.
Há uma tendência crescente de que a acupuntura seja mais amplamente usada em várias especialidades, desde a estética à medicina esportiva, para tratar doenças profissionais como a síndrome do cotovelo do tenista e patologias odontológicas.

5. ESTADOS UNIDOS
Alguns governos estaduais possuem um sistema de licenciamento para acupunturistas. Doze estados têm sistema de licenciamento para acupunturistas e quatorze governos estaduais exigem que os acupunturistas tenham recebido treinamento prévio. Em dezoito estados, apenas médicos podem tratar com a acupuntura. Enquanto que quatro estados proibem totalmente a acupuntura. Em quinze estados, os acupunturistas precisam ser aprovados no exame nacional da NCCA.
Até agora, o número de acupunturistas nos Estados Unidos chega a cerca de 8.000. O Bureau Americano de Educação e o Comitê Nacional de Padronização reconhecem 16 escolas de acupuntura e 12 faculdades para acupunturistas e os bureaus educacionais estaduais têm sistemas diferentes para credenciar as escolas. Um pequeno número de escolas médicas têm a acupuntura como matéria letiva opcional.

6. RÚSSIA
Na Rússia, o Laboratório de Reflexologia da Academia de Ciências está estudando as terapias médicas Orientais. Voluntários entre médicos recebem três meses de educação em acupuntura e medicina Oriental em vários centros de pesquisa sob a direção do Instituto Central para o Desenvolvimento Médico. Aqueles que terminam este curso podem praticar a Medicina Oriental. Até agora, cerca de 7.000 médicos concluíram este curso.

7. EUROPA
A pesquisa sobre medicina Oriental é muito ativa e avançada na Europa. Muitos jornais e livros sobre medicina Oriental são publicados e traduzidos na Europa. A Espanha possui uma escola de acupuntura chamada Trevo Dourado (Golden Clover). Vale a pena ressaltar que a Alemanha, França, Finlândia, Italia, Suécia, Suiça e países do Leste Europeu estão engajados em ativas pesquisas e atividades médicas orientais. Em algumas escolas da Alemanha, a medicina Oriental é matéria obrigatória no curriculum. Alguns hospitais também possuem um departamento de medicina Oriental. A terapia de estimulação da medicina Oriental está sendo estudada sob o ponto de vista anatômico, elétrico, magnético, endocrinológico e metabólico.

CARACTERÍSTICAS DA MEDICINA ORIENTAL COREANA

A medicina Oriental estuda a vida e tenta encontrar remédios para tratar as doenças e preservar a saúde. No entanto, o sistema médico depende de como se define vida e doença. As diferenças se baseiam na visão que se tem da natureza e de valores. Portanto, é muito natural que o Oriente e o Ocidente tenham desenvolvido ciências médicas diferentes. A medicina Ocidental enfatiza a identificação da causa de uma doença, enquanto que a medicina Oriental se focaliza na identificação e sistematização dos padrões dos pacientes. A primeira vê a influência de fatores externos como a origem das doenças, enquanto que a última considera os fatores internos, isto é, os padrões de desarmonia, como a origem das doenças.
A medicina Oriental considera que a doença se origina de uma anormalidade do corpo humano, o que quer dizer que a doença não é causada por uma parte anormal do corpo, mas por uma desarmonia do corpo todo. Esta perspectiva é chamada de visão holística do organismo, que é característica da medicina Oriental. Ela é também característica da filosofia Oriental, da qual a medicina Oriental deriva e é uma materialização. Ela se destina ao tratamento e cura das doenças e está baseada na visão de vida e morte, bem como na forma de ver o corpo humano. No entanto, a medicina Ocidental e Oriental não são completamente opostas, mas possuem também algumas similaridades.
Atualmente, procedimentos terapêuticos empregados pela medicina Oriental são amplamente usados em países asiáticos como Coréia, Japão e China. A medicina Ocidental adotou algumas destas terapias, incluindo a acupuntura. As duas diferentes formas de tratar doenças têm vantagens e desvantagens. No entanto, o que é importante é que a medicina Oriental é intimamente interligada às nossas tradições. Nós devemos desenvolver a medicina Oriental, ajustando-a à uma sociedade moderna.

1. O CORPO HUMANO E A MEDICINA ORIENTAL
Embora os corpos humanos não sejam idênticos, eles têm algo em comum. Isto é, eles são todos vivos. O mesmo fenômeno pode ser diferentemente interpretado, dependendo de como se considera um corpo humano. A medicina Oriental compreende o fenômeno do corpo humano de forma única e natural. Ela considera o corpo humano como um microcosmo e a natureza e a esfera celestial como macrocosmo.
A idéia de considerar o corpo humano como um microcosmo significa que o corpo humano é outro cosmos dentro da natureza e todos os fenômenos podem ser entendidos da mesma forma que os fenômenos naturais podem ser compreendidos. Esta visão representa uma diferença muito significativa da medicina Ocidental.
Um corpo humano é como um peixe num aquário, que tem a sua sobrevivência relacionada diretamente à temperatura e limpidez da água, à quantidade de planktons e luz solar. Assim, seria correto considerar o peixe sem levar em conta a água?
Já que o corpo humano é um microcosmo, a medicina Oriental deve sempre considerar as influências do macrocosmo sobre o microcosmo, isto quer dizer que a medicina Oriental dá importância não apenas ao corpo humano, mas também às situações e condições às quais o corpo está submetido.
Assim como a natureza sofre mudanças cíclicas tais como plantio, crescimento e colheita e passa pelas quatro estações, primavera, verão, outono e inverno, um ser humano também passa por estas mudanças.
A mudança do Yang Qí no corpo é semelhante ao movimento diário do sol. Quando o sol nasce, o Yang Qí desperta e atinge o seu ápice quando o sol está a pino. Então, quando o sol se põe o Yang Qí declina. Finalmente, ele atinge o seu mínimo quando a noite caí e a temperatura abaixa.
A medicina Oriental analisa o relacionamento entre fenômenos naturais e o corpo humano e, de forma organizada, os combina , sob uma base fisiológica e patológica, ao corpo humano. Tomemos dois exemplos:
Normalmente, a temperatura do corpo atinge seu ápice entre 14:00 e 16:00 horas. Em pacientes com Tuberculose ou Malária é comum que a temperatura apresente o seu valor máximo entre 14:00 e 16:00 horas, uma vez que o Yang floresce neste mesmo período. Portanto, uma temperatura corporal sobe devido à atividade do Yang Qí do corpo. Isto quer dizer que o Yang Qí do corpo resiste agressivamente quando uma doença latente no corpo se torna ativa. A batalha entre o Yang Qí e a doença se manifesta como calor (febre).
Durante o dia, a temperatura é mais baixa logo antes do sol nascer, o que significa que o Yin está mais ativo. As pessoas com excesso de Yin freqüentemente sofrem de diarréia fria, logo antes do nascer do sol. Quando o Yin está em excesso, o Yang relativamente diminui, desta forma o sangue não circula bem. Quando a temperatura corporal está baixa, os órgãos internos têm dificuldade de absorver água, o que leva à diarréia.
Para o tratamento, no primeiro caso, a escassez de Yin deve ser reforçada e o Yang florescente deve ser diminuído. No último caso, o Yin florescente deve ser sedado, enquanto que o Yang enfraquecido deve ser revigorado.
Como a medicina Oriental analisa e encontra o tratamento para uma doença em termos da interação entre o microcosmo e o macrocosmo, o tratamento é considerado básico e fundamental.
Além disso, nós podemos entender as regras de saúde no sistema da natureza. Um adulto tem um total de 32 dentes permanentes; oito dentes incisivos, quatro caninos e vinte molares. Porque o homem tem esta proporção de dentes? Os dentes incisivos são necessários para a ingestão de vegetais e frutas. Os caninos são necessários para lacerar a carne e os molares são necessários para triturar os grãos. Nesta mesma proporção dos dentes, os seres humanos ingerem esta proporção de alimentos ( vegetais (8), carne (4) e cereais (20). Esta proporção é considerada uma dieta balanceada.
Entre todas as criaturas sobre a terra, o ser humano é o único animal que anda de pé. Portanto sua cabeça e costas são de natureza Yang, enquanto que o abdomem e as pernas são Yin. Nós podemos encontrar maneiras de manter o equilíbrio entre a parte superior do corpo e a parte inferior através do relacionamento entre a água e o fogo.
A água, que é Yin, tende a fluir descendentemente, enquanto que o fogo, que é de natureza Yang, tende a subir. É por isso que a água flui em direção descendente e o fogo joga as labaredas para cima. Mas a água não permanece parada. Quando ela é aquecida pelo fogo, se transforma em vapor que sobe. O fogo não permanece subindo, mas ele também desce e causa um fluxo oposto. Sem a mudança de fluxo não haveria vida na terra.
O mesmo ocorre no corpo humano. Se o Yang na parte superior do corpo não interage adequadamente com o Yin na parte inferior do corpo, o corpo humano não pode se manter saudável. Como foi mencionado anteriormente, a elevação da temperatura corpórea e a diarréia fria antes do nascer do sol são resultados da fraca interação entre Yang e Yin.


2. AS ESTAÇÕES DO ANO E O CORPO HUMANO
A medicina Oriental considera a harmonia e o equilíbrio da natureza e do corpo humano como a fundação da boa saúde. Portanto, sob o ponto de vista da medicina Oriental, um médico ideal seria um sábio que entendesse bem o funcionamento do universo. Ele não atribuiria uma causa absoluta para a doença, mas consideraria o estado mental e físico e o relacionamento com os ambientes social e natural. Em um sentido estreito, a visão integral do organismo indica que todas as partes do todo estão interconectadas e iterativas. Em um sentido amplo, um indivíduo é uma pequena parte incorporada à uma organização maior através de contínuas interações com o ambiente. O indivíduo nunca deixa de ser influenciado e de se adaptar ao seu meio ambiente. Ele mantém-se mudando. O corpo humano não é uma máquina, mas um organismo vivo. Todos os fenômenos fisiológicos não são isolados, mas são interdependentes. Isto é, um ser humano vive sob a influência da natureza e exerce grande influência sobre ela. Afinal de contas, a presença do meio ambiente não deve ser ignorada ao lidarmos com a saúde humana e as doenças já que o meio ambiente está inseparavelmente relacionado aos seres humanos. Este tem sido um conceito da medicina Oriental por séculos.

3. TIPOS CONSTITUCIONAIS E DOENÇAS
Assim como não existem pessoas de aparências idênticas, da mesma forma todos mostram uma fisiologia diferente, porque a força de seus órgãos internos, chamados os cinco zang e seis fu , são diferentes. A medicina Oriental chama isto de constituição. Por causa da singularidade de sua constituição, as pessoas têm diferentes características, gostos e até mesmo diferentes suscetibilidades às doenças. Portanto, a medicina Oriental dá maior importância à constituição em termos de medicina preventiva do que aos tratamentos e curas. Neste contexto, nós podemos encontrar características únicas em cada um de nós.
Mesmo quando nós compartilhamos um alimento de um mesmo prato, para alguns de nós aquela comida é um veneno, enquanto que para outros não há nenhum problema. Isto é verdade com os medicamentos também. O mesmo medicamento às vezes mostra diferentes resultados. Ao tomar um medicamento algumas pessoas melhoram, enquanto que outras pioram. Por exemplo, algumas pessoas enfrentam o resfriado transpirando, enquanto outras não. E algumas ganham peso quando estão sob stress, enquanto que outras perdem peso. Alguns sentem-se cansados no período de mudança da estação da primavera para o verão e ganham energia quando o outono chega. Alguns experimentam um aumento da pressão sangüínea no outono. O estudo das condições de saúde e dos tratamentos em relação aos traços constitucionais é chamado de medicina constitucional. Lee Je Ma foi o precursor da medicina constitucional.
A medicina Sa Sang considera que, dependendo da constituição com que o corpo nasceu, ele tem sua própria deficiência e excesso nos órgãos internos e está suscetível a diferentes doenças. Associadas às doenças respiratórias, hepáticas, renais e digestivas existem quatro tipos de constituições: Taeyin, Soyin, Taeyang e Soyang.

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS NA MEDICINA ORIENTAL

Existem duas fases no diagnóstico: exame e diagnóstico. O exame é o processo de coleta de informações sobre os sintomas e sinais que o paciente mostra, enquanto que o diagnóstico é um amplo processo de traçar as causas e evolução de uma doença e determinar uma orientação para o tratamento da doença em questão, através da análise das informações e conclusões reunidas através do exame. O tratamento começa quando um método terapêutico é escolhido através do exame e diagnóstico e então os procedimentos apropriados tais como medicação ou acupuntura ou terapia física são definidos. Existem quatro tipos de exames na medicina Oriental: inspeção, anamnese, ausculta e tomada do pulso.

1. INSPEÇÃO
Inspecionar com os olhos é observar a compleição, a cor da pele, o estado mental e aspectos gerais do corpo e de suas partes. A observação da compleição revela a natureza da doença que afeta os órgãos internos. O brilho da pele reflete o funcionamento dos órgãos internos, que é muito preciso para determinar o quanto uma doença avançou e quão séria ela é.
O exame da língua é especialmente importante na inspeção. É uma forma de diagnosticar a doença através da observação das mudanças na língua. O estado da língua é um claro reflexo dos órgãos internos, do Qí e do Sangue. É importante para determinar a seriedade e o prognóstico de uma doença. Quando a língua está coberta com uma substância parecida com musgo, isto indica que o estômago está em más condições. Ao se observar a saburra da língua os médicos podem saber se o estômago está funcionando mal, qual é a causa e onde a doença ocorre. Além disso, eles podem prever como a doença em questão irá se desenvolver e como o paciente pode ser curado.


2. AUSCULTA E OLFAÇÃO
A ausculta e a olfação são formas de se examinar um doente através de ouvir e cheirar. Um médico ouve a voz, a respiração e a tosse de um paciente e cheira suas excreções.

3. ANAMNESE
Para reunir informações sobre uma doença específica um médico pergunta a seu paciente ou à família do paciente como a doença começou e como ela evoluiu. Ele também pergunta a seu paciente sobre resultados de tratamentos, detalhes dos sintomas, etc.. Uma vez que o paciente sabe bem sobre sua história médica, surgimento dos sintomas, história familiar relacionada à doença e assim por diante, é de grande importância colher informações dos pacientes através de perguntas e respostas.
A anamnese é mais importante para diagnosticar uma doença que não mostre sintomas e sinais objetivos e que seja causada por fatores mentais. As queixas dos pacientes podem ajudar o médico a identificar elementos importantes da doença que, de outra forma, poderiam não ser notados. No caso da anamnese, os sintomas e sinais atuais que o paciente sente são os mais importantes, já que constituem a base para o diagnóstico. Um médico é capaz de fazer o julgamento correto sobre uma doença ao questionar o seu paciente sobre os sintomas principais, incluindo as partes afetadas, a gravidade, períodos de crises e outros sintomas. Além disso, ele pergunta a seu paciente sobre condições fisiológicas, incluindo hábitos alimentares, sono e excreções.

4. TOMADA DO PULSO
Através do tempo de estudo e experiência clínica, os médicos acumularam uma grande experiência na tomada do pulso. Existem dois tipos de tomada de pulsos: sentir e palpar o pulso. Esta é a forma de reunir informações sobre uma doença através de sentir, tocar ou pressionar o corpo de um paciente. O pulso é sentido ao se pressionar e sentir os batimentos do pulso no punho do paciente. Existem 27 tipos, dependendo da posição, velocidade e forma do pulso e força do batimento. É desnecessário dizer que o exame do pulso desempenha um papel importante no diagnóstico. No entanto, é deplorável que algumas pessoas tentem julgar a competência de um médico baseados na habilidade de sentir o pulso, ignorando as outras habilidades médicas. Eles devem abandonar tal atitude indesejável, não apenas para que eles sejam curados, mas também para que os médicos evitem um diagnóstico incorreto.

Após coletadas através dos quatro tipos de exames, as informações são analisadas para auxiliar os médicos orientais a decidir sobre o correto tratamento, através da percepção exata da doença em questão. O processo de definir padrões através da análise é chamado de diferenciação entre as síndromes, no qual os princípios principais são chamados de Os Oito Princípios. Os Oito Princípios classificam os estados dos pacientes com base nestes oito princípios: Yin, Yang, Exterior, Interior, Frio, Calor e Deficiência e Excesso.


TRATAMENTO NA MEDICINA ORIENTAL

1. TRATAMENTOS NATURAIS E DIETÉTICOS
Quando surge a questão de definir o termo saúde, a medicina Oriental freqüentemente se refere a um mecanismo de equilíbrio. Isto significa que um ser humano está saudável quando o Yin e o Yang estão equilibrados. Quando um deles, ou o Yin ou o Yang, se tornam fracos o outro floresce. Este é um estado patológico.
Assim, o equilíbrio entre Yin e Yang deve ser restaurado para o estado patogênico recuperar-se a um estado normal. Neste sentido, induzir o corpo humano a curar-se é chamado terapia natural.
O corpo humano tem a sua homeostase. Homeostase é tendência a se manter o equilíbrio quando ele está para ser rompido. No contexto do corpo humano, a homeostase regula o corpo para mantê-lo em um determinado estado. É diferente de recuperar o equilíbrio depois que ele já foi rompido. As terapias naturais utilizam a homeostase ativamente no tratamento das doenças. O tratamento na medicina Oriental é baseado nos princípios das terapias naturais.
Vejamos um exemplo da comparação entre um tratamento artificial e um tratamento natural:
Quando a água está estagnada em uma piscina e cheira mal, todos os tipos de bactérias patogênicas proliferam-se. Se usarmos um forte bactericida isto será um tratamento artificial, enquanto que drenar e esvaziar a água é chamado um tratamento natural. Resta a questão de julgarmos qual destes tratamentos é mais efetivo. É natural empregarmos recursos naturais para o tratamento natural. Sob este aspecto a administração de medicamentos orientais é o tratamento mais eficaz, seguido por uma dieta.
Qual é a diferença entre ervas medicinais e o alimento que nós ingerimos todos os dias? Na verdade não há diferença. Foi dito que um médico legendário na medicina antiga, Shin Nong ingeriu setenta venenos diferentes em um dia, enquanto testava todos os tipos de ervas. Portanto, se uma erva é inofensiva e nutritiva para o corpo humano é chamada de alimento. Se a erva é um pouco venenosa e ajuda a tratar uma doença ela se torna um medicamento. Em outras palavras, o alimento não causa nenhum envenenamento, mesmo em grandes quantidades, enquanto que as ervas medicinais causam envenenamento mesmo em pequenas doses.
No entanto, as drogas usadas para um tratamento dietético devem ambos, alimento e medicamento. O tratamento pode ser parte dos remédios populares, uma vez que se conhece como usar as ervas através da experiência. Quando o tratamento dietético é usado de forma não apropriada, ele pode produzir resultados indesejáveis. Assim, orientação profissional é necessária para o tratamento dietético. Em particular, quando o tratamento é usado para pacientes que sofrem de hipertensão, arteriosclerose e diabetes melitus, a prescrição do médico oriental deve ser estritamente seguida.

2. DETALHES DO TRATAMENTO
A saúde é um estado no qual o corpo humano é normal no todo e em suas partes e se adapta às influência ambientais. Se isto não ocorrer, há uma anormalidade do corpo humano, ou seja, uma doença surge.
O tratamento sintomático, que trata os sinais e sintomas superficiais sem considerar a causa-raiz da doença pode levar a um diagnóstico errado ou agravar a doença. Ambas as medicinas, a Ocidental e a Oriental, dão importância ao tratamento das doenças baseadas na causa, embora sejam diferentes nos métodos de diagnóstico e tratamento. O que é importante no tratamento de uma doença é o poder curativo natural do corpo humano que, acredita-se, cura 75% das doenças.
A medicina Oriental considera a Essência vital (Jing) e a Energia (Qí) poderes curativos naturais. Quando os corpos estão cheios de Essência vital (Jing) e Energia (Qí), eles eliminam os patógenos, mas quando a Essência vital (Jing) e a Energia (Qí) estão enfraquecidas, elas devem ser primeiramente fortalecidas e então os patógenos serão eliminados.
Quando uma conduta terapêutica apropriada é escolhida, tratamentos como medicamentos, acupuntura, massagem e terapia física podem ser empregadas.
a) terapias internas
Entre os tratamentos médicos, o método mais comum são as, assim chamadas, oito terapias: Transpiração, vômito, purgativo, harmonização, aquecimento, resfriamento, fortalecimento e redução.
A terapia da transpiração elimina patógenos através da transpiração e assim é usada para doenças da superfície do corpo humano. A terapia do vômito é usada para aliviar doenças agudas através da eliminação de patógenos e substâncias nocivas. A terapia purgativa é empregada para facilitar o metabolismo através da eliminação das substâncias acumuladas no corpo, através das fezes. A terapia de harmonização é um tratamento suave que é usado quando as terapias agressivas tais como resfriamento, vômito e purgativos não podem ser usadas. A terapia do aquecimento usa drogas naturais moderadas e é empregada para tratar a síndrome Yin. A síndrome Yin é uma doença constitucional de deficiência do Yang. A terapia do aquecimento é um tratamento para estimular o crescimento físico reforçando o Yang deficiente e estimulando o anabolismo e a circulação de sangue. A terapia de resfriamento é a terapia oposta à de aquecimento. Ela usa drugas frias para aliviar a febre e proteger os fluidos corpóreos. A terapia de fortificação reforça o Qí e harmoniza o Yin e o Yang. Ela corrige a deficiência dos órgãos internos para eliminar a deficiência e restaurar a Essência Vital e a Energia para eliminar os patógenos. Existem quatro métodos: Fortalecimento do Qí, do Sangue (Xue), do Yin e do Yang. Redução é uma terapia para quebrar e destruir um inchaço (tumor) no corpo.
Quando resultados não esperados ocorrem após o uso de drogas orientais e então, uma doença crônica é rapida e surpreendentemente curada, isto é chamado Myonghyon. Myonghyon dura apenas dois ou três dias e então desaparece.
b) terapia com acupuntura
A acupuntura é um ramo da medicina Oriental usada para prevenir, aliviar e curar doenças. Ela utiliza estimulações físicas tais como acupuntura e moxibustão na superfície do corpo para induzir uma resposta do corpo.
A acupuntura e moxibustão são classificadas como terapias externas. A acupuntura é a estimulação mecânica usando-se agulhas, enquanto que moxibustão é a estimulação pelo aquecimento de locais na superfície usando-se várias ervas. A terapia por acupuntura é uma terapia física, uma vez que utiliza estimulação física. Num sentido amplo, ela inclui ventosas, manipulação através de massagem e terapia por pressão digital. Recentemente, a manipulação de instrumentais para acupuntura avançou e progrediu tanto que inclui uma variedade de métodos tais como instrumentos elétricos, raios laser e drogas associadas aos instrumentos convencionais. Novas terapias por acupuntura que combinam a teoria dos meridianos às teorias da medicina Ocidental, estão sendo usadas em experimentos clínicos.
O método mais simples é a acupuntura. Ela pode ser aplicada em qualquer lugar, uma vez que os instrumentos não são volumosos nem complicados. A acupuntura pode ser aplicada a pessoas com stress, problemas digestivos, nevralgias e apoplexias. Recentemente, a acupuntura tem sido aplicada nas orelhas para a cura do tabagismo.
Os princípios da terapia por acupuntura são baseados na regulação do Qí com a acupuntura. Regular o Qí significa restabelecer o desequilíbrio de Qí nos canais e colaterais nos órgãos internos ao seu estado normal. E a regulação do Qí leva a um fluxo harmonioso do Qí e do Sangue (Xue). Como as principais funções do Qí se refletem no young-wei, isto é, nutrientes e na defesa externa, a harmonização do Qí e do Sangue (Xue) ajuda o young-wei a fluir bem. O Chisin aumenta o efeito da regulagem do Qí e reforça o fluxo de Qí e Sangue (Xue) através da concentração da mente em um determinado ponto, fazendo o Qí fluir até ele.
O trabalho com moxibustão é semelhante ao da acupuntura. A terapia com moxibustão tem o efeito de regular o Qí, já que estimula os pontos de acupuntura para fazer com que o Qí e o Sangue (Xue) fluam suavemente e para controlar a consciência e a atividade mental. A diferença entre as terapias por moxibustão e por acupuntura é que a moxibustão é uma estimulação pelo calor. Portanto, a acupuntura é freqüentemente usada para patologias agudas, inflamações e síndromes de excesso, enquanto que a terapia com moxibustão é usada para doenças crônicas, síndromes de deficiência e de frio. A terapia por acupuntura é usada para prevenir e curar doenças através de regular o Yin e o Yang e normalizar a atividade do Qí e da Energia vital nos órgãos internos.
c) terapia com ventosas
Esta terapia aplica um instrumento com a forma de um pequeno copo nas partes afetadas por nevralgias e doenças internas e regiões contundidas. Esta terapia pode fortalecer a imunidade corpórea.
d) terapia Chu-na
A terapia Chu-na é uma terapia de manipulação que faz com que partes do corpo funcionem bem através de induzir o corpo humano a cura-se. A terapia usa as mãos, outras partes ou instrumentos auxiliares para manipular e corrigir determinados locais (pontos de acupuntura, pontos dolorosos da fáscia, espinha e articulações e músculos). A Chu-na Coreana sistematizou a terapia da maneira Coreana através de aceitar e combinar as teorias básicas da medicina Oriental, a anatomia da medicina Ocidental e excelentes técnicas clínicas (Chu-na Americana e Chu-na Japonesa). As terapias de manipulação, no mundo todo, têm se desenvolvido na direção de aceitar os méritos umas das outras. As terapias de manipulação Oriental e Ocidental têm muito em comum. Uma vez que o estudo das terapias de manipulação combinou os méritos da medicina Oriental e Ocidental, ela é adequada para uma padronização internacional.

3. PREVENÇÃO DE DOENÇAS E FORTALECIMENTO DO QÍ
Na ciência médica, prevenção é evitar que a doença surja. A ênfase da medicina Oriental preventiva está no ser humano e não na doença, isto é, no fortalecimento da Essência vital e da Energia. A Essência vital e a Energia são atividades do Qí e representam a resistência às doenças. Portanto, é importante aumentar a Essência vital e a Energia para evitar as doenças. Isto se aplica durante os tratamentos, cuidados pós-tratamento e recuperação.
a) Como prevenir uma doença quando o corpo humano está saudável
Primeiramente, é vital cultivar a própria mente. Uma vez que o estado mental está intimamente relacionado à ocorrência de doenças, um excesso de stress mental pode afetar as funções normais do corpo e assim, uma doença pode invadir o corpo. Além disso, a adaptabilidade do corpo humano à mudanças climáticas é importante. Isto não apenas significa que se você cuidar-se quando as estações mudam, vocês não ficarão resfriados; mas todos as coisas vivas, incluindo os seres humanos vivem ajustando seu biorritmo às mudanças da Mãe Natureza. O que é mais importante para os seres humanos é a comida sob uma perspectiva biológica e a vida diária sob uma perspectiva sociológica. A primeira é uma medida preventiva passiva, enquanto que a outra são medidas ativas que incluem o treinamento do próprio corpo através de exercícios físicos, fortalecimento do Qí enfraquecido e higiene.
b) Como prevenir uma doença quando o corpo humano não está saudável
O tratamento preventivo se destina a impedir a progressão da doença e não permitir que ela se agrave. Uma doença pode ser considerada como uma desarmonia entre o Yin e o Yang. Portanto, as medidas de tratamento são divididas em duas: fortalecer a Essência vital e a Energia e eliminar os fatores patogênicos que são as causas da doença. Dependendo da gravidade de um paciente, uma destas medidas pode ser usada ou ambas podem ser usadas.
Embora o método de eliminar os fatores patogênicos possa ser utilizado quando um corpo tem um decréscimo de sua Essência vital e Energia, o tratamento da medicina Oriental se focaliza principalmente em fortalecer a Essência vital e a Energia. Mesmo quando o método de eliminar os fatores patogênicos é utilizado, os métodos de fortalecimento do Qí são também realizados.
Como foi mostrado acima, a característica principal da medicina Oriental é basear todas as medidas de tratamento na Essência vital e na Energia. Medicamentos e terapias físicas como moxabustão e acupuntura são utilizadas para fortalecer o Qí. As drogas usadas para fortalecer o Qí são chamadas Fortificantes.
No entanto, embora um Fortificante fortaleça o Qí, ele não pode ser prescrito a todos da mesma forma. Um tratamento apropriado deve ser utilizado após a exata identificação do que está deficiente no Qí, Yin e Yang. Assim, para se usar os Fortificantes é necessário um diagnóstico ponderado e preciso.
A perspectiva que se focaliza no fortalecimento do Qí é aplicada não apenas ao tratamento de uma doença, mas também à manutenção da saúde, no pós-tratamento.
Para se prevenir doenças e manter a saúde, deve-se sempre prestar muita atenção ao próprio corpo. Além disso, deve-se fazer exercícios regularmente e comer alimentos adequados à sua própria constituição. Entretanto, o estado mental é o fator principal na manutenção da saúde.

4. DIETA CORRETA NA VIDA DIÁRIA
Por um longo tempo, as comunidades médicas têm considerado os alimentos e os medicamentos como tendo a mesma origem. Portanto, eles tentaram desenvolver métodos para implementar a saúde através do conhecimento exato dos alimentos. É evidente que os nutricionistas têm dado mais importância a isto que os seus companheiros médicos.
Há quatro tipos de alimentos: Frio, Fresco, Quente e Morno. Os dois primeiros possuem a característica Yin, enquanto que os dois últimos possuem a natureza Yang.
Por exemplo, a pêra é Yin, assim ela pode agir para abaixar a febre. O feijão é Yin também, assim quando se come feijões mal cozidos, ele causa efeitos adversos. O alho e o gengibre são Yang, então eles aquecem o seu corpo. Diferentemente do arroz integral, o arroz não integral é Yang, assim ele aquece o corpo e facilita a secreção do leite materno. Mas quando é ingerido em abundância, ele agrava as doenças inflamatórias tais como acne, terçol e abcessos e diminui o volume urinário. Em termos da ciência ocidental da Nutrição, o arroz integral e não integral não apresentam muitas diferenças, mas considerando-se os seus efeitos totalmente opostos sobre a saúde, o efeito de um alimento sobre a saúde não pode ser explicado excluindo-se o Qí ou a sua natureza. A medicina Oriental explica os alimentos em termos de suas propriedades e características medicinais.

5. TRATAMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS
As medidas de tratamento de primeiros socorros incluem massagem, tratamento pelo frio e pelo calor, acupuntura, transpiração, vômito, diarréia e contra-veneno. Quando você esfrega uma área com coceira, massageando-a, isto tem um efeito medicinal. As técnicas de massagem são várias, dependendo da parte do corpo onde a massagem é aplicada.
Os tratamentos pelo frio e pelo calor são aplicados quando músculos ou tendões sofrem estiramentos, sangramentos ou edema. Após o traumatismo, o frio deve ser aplicado para contrair os vasos sangüíneos no local afetado, de forma que o sangramento pare. Então, o calor deve ser aplicado para diminuir o edema no local. A aplicação de calor normalmente é feita com água quente, mas algumas vezes raios infra-vermelhos podem ser usados para aplicar o calor.
A terapia por pressão digital foi desenvolvida e aplicada aos canais e colaterais. Ao se pressionar com os dedos os pontos de acupuntura, locais onde os vasos sangüíneos e nervos estão densamente distribuídos, a circulação sangüínea é facilitada e a dor é aliviada.
A terapia por acupuntura é a mais eficaz entre os tratamentos de primeiros socorros usados na medicina Oriental. A aplicação de acupuntura pode trazer um bom resultado no processo de tratamento. A terapia é usada para pacientes em choque, ataques cardíacos, emergências digestivas e febre alta de causa desconhecida.
A transpiração ajuda o corpo a regular seu metabolismo através de eliminar toxinas e suor. A transpiração é efetiva quando ocorrem problemas respiratórios como edema, febre alta ou dor nos músculos devido à falta de transpiração. Aquecer o corpo pode ajudar na transpiração.
A terapia do vômito é usada quando alguém engoliu algo indigerível ou uma droga venenosa.
Provocar a diarréia é usado quando cólicas ocorrem no intestino delgado ou grosso ou quando o intestino está bloqueado por constipação e ocorre dor.
O contra-veneno é usado quando se é picado por uma abelha ou mordido por uma cobra venenosa. Antídotos como a saliva ou drogas são administrados contra o veneno.

6. TRATAMENTO EM CASO DE TRAUMATISMOS NO ESPORTE
Mais do que nunca, hoje em dia se dá muito destaque aos esportes. A sociedade internacionalmente promove jogos e eventos esportivos.
Quando ocorre um traumatismo durante uma atividade física é difícil dizer qual tratamento pode ser mais eficaz, se o da medicina Ocidental ou o da medicina Oriental, já que os dois tipos de medicina são complementares. Portanto, o método de tratamento deve ser adotado de acordo com a gravidade da lesão. Problemas ósseos, fraturas, lacerações e luxações são citadas como problemas comuns. No entanto, as lesões mais comuns incluem contusões de tecidos e músculos e estiramentos. Os ossos são circundados por pele, tecido subcutâneo, músculos, fáscias, aponeuroses, tendões, nervos e vasos sangüíneos. Assim, qualquer exercício pode provocar lesões nos ossos, músculos e tecidos.
Exceto para as lesões com lacerações, fraturas e luxações, uma variedade de tratamentos incluindo a acupuntura, ventosas e terapia por digitopressão podem curar vários traumatismos ocorridos durante o exercício. A terapia por acupuntura tem um efeito excelente no alívio da dor, da inflamação e contratura que acompanham os problemas articulares e contusões. Pelo fato do resultado do tratamento ocorrer rapidamente, ela é chamada de medicina de alívio da dor. Em especial, a aplicação de acupuntura traz resultados imediatos nos casos de distensão, choque e asfixia. Quando a acupuntura não pode ser usada pode-se usar a pressão digital e a terapia com massagens.
As ventosas são usadas para torções, sangue estagnado e dores causadas por problemas circulatórios. Medicamentos são usados para curar a fadiga muscular, contraturas, sangramento, choque, asfixia e entorses. Exercícios respiratórios leves e meditação são formas tradicionais de se curar traumatismos.

7. PRECONCEITOS CONTRA A MEDICINA ORIENTAL
Existem muitos preconceitos contra a medicina Oriental. Os seguintes são exemplos:
• Quando você toma remédios orientais no verão, a eficácia será reduzida porque o suor eliminará o efeito do remédio.
• Uma criança que tome remédios orientais poderá ficar com um QI baixo.
• Os remédios orientais irão fazer você ganhar peso.
• Uma mulher gestante não deve tomar remédios orientais.
• Remédios orientais causam deterioração do fígado e rins.
Todas estas idéias são infundadas. Quer seja um medicamento oriental ou ocidental, o uso não apropriado de qualquer medicamento pode causar efeitos adversos se ele for usado sem orientação profissional. Portanto, é inútil dizer que os medicamentos são absolutamente bons ou maus. Quando um medicamento é administrado de acordo com os sinais e sintomas do paciente, ele irá trazer indiscutíveis resultados. É muito importante que as pessoas procurem o médico Oriental e procurem por orientação profissional antes de se tratarem.

FIM

Um comentário:

brunnagomes disse...

Ligação direta
Prepare-se para comprar o seu estojo de agulhas. Cientistas da Universidade da Califórnia comprovaram que os pontos da acupuntura estão mesmo ligados, através do cérebro, a importantes órgãos internos e funções do corpo.
Por Denis Russo Burgierman
O pesquisador espeta a lateral do pé do voluntário e gira a agulha devagar. Na tela do computador, onde se vê a imagem do cérebro do paciente, acende-se uma área, sinal de que ela entrou em atividade. Só que o campo iluminado não rege o movimento dos pés nem processa a dorzinha da picada: trata-se da parte do córtex que controla a visão. E, não por acaso, o local perfurado é aquele que os chineses chamam de kuang ming (clareza da luz), usado para curar doenças dos olhos.

Foi assim que o físico Zang-Hee Cho, da Universidade da Califórnia, comprovou que certos pontos na pele estão de fato ligados a órgãos internos, como se sabe no Oriente há cinco milênios. A pesquisa, realizada em 1998 pela equipe do coreano Cho, é uma notícia aguardada há décadas. Pelo menos 1 bilhão de cidadãos dentro e fora da China já recorrem à acupuntura, e outro tanto certamente só não o faz porque duvida da sua confiabilidade. Agora, antigos e novos usuários poderão submeter-se às beliscadas com tranqüilidade. A ciência chegou, pela primeira vez, a conclusões seguras a respeito do assunto.



Laboratório de dentro

Cho escolheu o kuang ming porque o córtex visual é a área mais bem mapeada do cérebro. Além disso, outros dois acupontos (os lugares prescritos para as agulhadas) relacionados aos olhos foram estimulados em doze cobaias. Em todos os casos, o campo do cérebro correspondente à vista foi ativado. Por fim, para garantir os resultados, o físico tratou de cravar outros lugares do pé, sem valor para a acupuntura. O córtex ignorou as pinicadas falsas.

"Ninguém ainda havia provado que os acupontos têm conexão com o córtex, a parte do cérebro que toma as decisões e controla os órgãos", disse Cho à SUPER. Essa camada do cérebro é capaz de ativar uma verdadeira indústria farmacêutica interna (veja na página 28). Ela pode estimular a produção de anticorpos para enfrentar vírus e bactérias invasoras; acalma o sujeito; manda fabricar os hormônios que regem os órgãos; e ordena a criação de substâncias que aliviam a dor. Enfim, está provado que a terapia chinesa encontrou um jeito de acionar, sem remédios ou bisturi, importantes circuitos da nossa máquina bioquímica.


Ponte orgânica

Esta gravura chinesa antiga mostra um dos doze meridianos que percorreriam o corpo humano. Utilizando esse caminho, os acupunturistas garantem que, ao enfiar uma agulha no dedo mindinho, curam palpitações e previnem enfartes. Estranho, não é? Mas moderníssimos testes de ressonância magnética estão confirmando essas relações dentro do organismo

A cura está na farmácia interior

Há 5 000 anos, quando criaram a acupuntura, os chineses não sabiam que o cérebro rege todo o organismo. O sistema que inventaram pressupunha a existência de doze meridianos — canais de energia que conectariam os órgãos — sobre os quais se localizam 1 500 acupontos. "A tradição diz que, com as agulhas, podemos reorganizar a energia que circula nesses canais", diz o chinês Jou Eel Jia, acupunturista em São Paulo. Acontece que ninguém nunca viu um meridiano. A idéia de que, em vez de uma estrada energética invisível, sejam terminais nervosos, através do cérebro, que ligam o pé aos olhos, como demonstraram Cho e seus colegas, é mais plausível para a medicina ocidental.

A mesma hipótese explicaria a eficácia das agulhadas para curar — esta ainda um mistério para os cientistas. "Se o estímulo chega ao córtex, pode, a partir dele, atingir o hipotálamo", sugere o fisiologista Gilberto Xavier, da Universidade de São Paulo. "O hipotálamo é um centro nervoso que trabalha em conjunto com a hipófise, a glândula-mãe." A dupla rege a produção dos hormônios que agem nos órgãos. Controlando-os, fica fácil tratar muitas das doenças causadas pelo seu desequilíbrio, da diabete à obesidade.

Um hormônio importante é a adrenalina, que é liberada quando tomamos um susto. Ela nos deixa alertas, mas também agitados e estressados. "Já sabemos que um de seus efeitos colaterais é baixar a resistência a doenças", conta Xavier. Aí a acupuntura pode ajudar controlando os níveis de adrenalina no sangue e deixando os anticorpos livres para agir.

E há ainda um outro possível efeito. "O estímulo pode agir no bulbo cerebral, que manda nos neuroquímicos", diz Cho, referindo-se às proteínas que tornam possível a transmissão de impulsos entre um neurônio e outro. Se os acupunturistas as controlam, podem bloquear a dor das doenças ou aliviar a dependência de drogas e álcool.



Ex-cético

"Para ver o cérebro, Cho usou ressonância magnética, técnica em que foi um dos pioneiros", explica o argentino Horácio Panepucci, da Universidade Federal de São Carlos, interior de São Paulo, o principal pesquisador da ressonância no Brasil. "O aparelho é uma espécie de raios X para ver tecidos moles como o cérebro." O coreano empregou tecnologia de ponta, a ressonância magnética funcional, que, além de enxergar o córtex, identifica mudanças na quantidade de oxigênio no sangue, revelando quais regiões cerebrais estão em atividade. Agora ele tenta captar financiamento para testar os acupontos ligados à audição, ao olfato e ao paladar. A técnica custa caríssimo.

Cho, que tem 62 anos, conhece a acupuntura faz tempo. "Quando eu era criança, meu pai teve uma paralisia facial e se curou com as agulhas", contou à SUPER. Essa doença, caracterizada pela perda dos movimentos em um dos lados do rosto, é tratada pelos ocidentais com cortisona, um hormônio violento que provoca inchaço e aumento de peso, entre outros efeitos colaterais.

Mesmo assim, o coreano não acreditou na terapia milenar. "Moro no Ocidente desde 1962 e aprendi a achar que acupuntura é fantasia", diz. Isso até ele próprio, em 1990, tomar um tombo e torcer o pé. Atraído pelo baixo preço das consultas — cerca de 40 reais, contra 100 reais em média no Brasil —, resolveu tentar. "Foi quase um milagre. Depois de 15 minutos de sessão, eu estava bom. Resolvi que valia a pena pesquisar por que funciona tão bem."

Xavier, porém, ressalta que o experimento de Cho é animador, mas limitado. "Ele mostrou que o estímulo no pé ativou as áreas visuais. Mais do que isso é especulação." Segundo o fisiologista, serão necessárias outras pesquisas para revelar de que maneira a acupuntura cura.

O físico coreano Zang-Hee Cho, da Universidade da Califórnia: mesmo admitindo ter-se tornado "cético" sobre a eficácia de medicinas tradicionais, depois de quase 40 anos passados no Ocidente, provou que a acupuntura funciona



O ponto kuang ming, ligado à visão, faz parte do meridiano da bexiga, que sai do pé e vai até o canto interno dos olhos. A medicina ocidental não aceita a teoria dos meridianos, mas também nunca conseguiu provar que eles de fato não existem. Segundo a acupuntura, há doze meridianos e 1 500 acupontos ao longo deles

Para aliviar, espete a agulha no nervo certo



A cura de doenças pela acupuntura sempre foi um mistério para a ciência. Mas o neurocientista canadense Bruce Pomeranz, da Universidade de Toronto, já tinha compreendido há mais de vinte anos como é possível controlar a dor com as picadinhas (veja infográfico abaixo).

"Existe uma célula na coluna vertebral que se chama interneurônio", conta o fisiologista Gilberto Xavier. "Ela é um neurônio, só que pequeno, e sua função é evitar que o cérebro seja avisado da dor em situações em que isso prejudicaria o indivíduo" — por exemplo, no caso do sujeito que, apesar de ter a perna quebrada, tem de se safar rápido de um acidente. A acupuntura sabe usar esse recurso também em situações menos extremas: quando se estimula um certo tipo de terminação nervosa logo abaixo da pele, o interneurônio é induzido a entrar em ação, bloqueando o caminho da dor no corpo inteiro.

"Os pontos de acupuntura, conhecidos há milhares de anos, são justamente os lugares da pele com maior concentração de nervos que ativam esse mecanismo", explica o médico Ysao Yamamura, que chefia o renomado Departamento de Acupuntura da Universidade Federal de São Paulo. Isso justifica o sucesso da terapia no tratamento de dores. Mas, até o trabalho de Cho, ninguém sabia sugerir como ela age em órgãos específicos e faz o paciente sarar de doenças.



Eficiência indiscutível

No início de 1997, os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos organizaram uma reunião para avaliar a eficácia das aplicações. "A conclusão foi que elas realmente funcionam", disse à SUPER o médico David Ramsay, reitor da Universidade de Maryland, nos EUA, e presidente do encontro. Ramsay acha que há evidências fortíssimas de que as agulhas melhoram dores de cabeça, de dentes, de coluna e cólicas menstruais. Tudo previsto pela teoria dos interneurônios.

Mas também ficou provado que ela é eficiente para tratar asma, enjôos em pacientes de quimioterapia ou recém-operados e para ajudar na reabilitação de viciados em álcool e drogas. Nada disso é explicado pela teoria de Pomeranz. Possivelmente, tem a ver com hormônios e neuroquímicos. Em todos esses casos, as aguilhoadas bem aplicadas trazem resultados tão bons ou melhores que os equivalentes ocidentais, com a vantagem de não terem efeitos colaterais.

"A acupuntura funciona, e bem, para quase toda doença no começo", diz Yamamura (veja quadro abaixo). "É a terapia perfeita para prevenção, para o que não aparece nos exames, para desequilíbrios hormonais, dores e tudo o que for relacionado à tensão", completa. Fora disso, o tratamento convencional é a melhor opção.

Mesmo sem entender seu funcionamento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a terapia aos países-membros. Dos 1 500 acupontos espalhados pelo corpo, a OMS comprova a eficácia de 360. Seguindo esse conselho, o Brasil foi o pioneiro no Ocidente em reconhecer essa prática como especialidade médica, em 1995. "Já somos mais de 5 000 médicos que usam acupuntura no Brasil, sem contar os 20 000 não-médicos habilitados para executar as aplicações", diz Yamamura. Em setembro passado, o Conselho Federal de Medicina proibiu todas as práticas de medicina alternativa que não tivessem sido suficientemente comprovadas. A acupuntura, assim como a homeopatia, foi uma das únicas poupadas.

Ou seja, a ciência já sabia há muito tempo que as agulhadas fazem bem. Mas só agora começa a entender por quê.

Zhen jiu, o ideograma chinês para acupuntura, representa não só as agulhas mas também a erva que, tradicionalmente, era queimada durante as sessões de terapia



Uma ilustração do meridiano da bexiga, onde são tratadas doenças dos olhos, ouvidos e nariz e também perturbações mentais como a esquizofrenia e a depressão

Comunistas ressuscitaram saber ancestral



A acupuntura já tem muito prestígio no Ocidente. Depois da experiência de Cho, isso tende a aumentar. Mas ela quase deixou de existir no começo deste século. Em 1912, sob influência dos ingleses, a China baniu as terapias tradicionais (veja quadro abaixo). "Os grandes laboratórios farmacêuticos estavam chegando à Ásia e queriam introduzir seus produtos à força", interpreta o acupunturista Jou Eel Jia, nascido na China e residente em São Paulo. O resultado foi desastroso: em 1949, havia só 40 000 médicos para atender 500 milhões de habitantes.

Naquele ano, Mao Tsé-tung (1893-1976) liderou a revolução comunista. Um de seus primeiros atos foi reabilitar os terapeutas até então ilegais, transformando-os em agentes de saúde. Mao também criou faculdades e institutos de pesquisa do método tradicional, além de um sistema que integra as duas medicinas, no qual os pacientes podem escolher a sua preferida.

Hoje, a acupuntura é oficial também no Japão e na Coréia e há terapeutas em praticamente todo o mundo. Só nos Estados Unidos, onde foi introduzida nos anos 70, entre 9 e 12 milhões de pacientes recorrem às agulhas anualmente. Com a pesquisa de Cho, elas podem confiar que não estão recorrendo a um curandeirismo, e sim a uma técnica médica comprovada.

Para saber mais

Ch’an Tao, de Jou Eel Jia, Norvan Martino Leite e Lilian Fumie Takeda, Plexus, São Paulo, 1998.



Basics of Acupuncture, de Bruce Pomeranz e Gabriel Stux, Springer-Verlag, Nova York, 1998.

Mao Tsé-tung, o "grande timoneiro" da Revolução Chinesa de 1949, tirou a acupuntura do ostracismo em que ela caíra durante o domínio dos colonizadores ingleses



Uma representação alegórica dos doze meridianos, os supostos canais pelos quais circula a energia. A teoria estabelecida há 5 000 anos diz que, sempre que ela não flui de maneira correta, surgem os males e as doenças

1. O estímulo é aplicado no kuang ming. Esse ponto é usado tradicionalmente para tratar dores nos olhos e algumas doenças da visão, como glaucoma e conjuntivite.



2. Os nervos levam os impulsos até a espinha dorsal, por onde sobem para o cérebro. Por algum motivo desconhecido ainda, eles provocam atividade na área visual do córtex cerebral (veja nas imagens ao lado).



3. O córtex ativa o hipotálamo e a hipófise, a dupla que regula a produção de hormônios, e o bulbo cerebral, a estrutura que comanda a fabricação das substâncias que induzem os impulsos a percorrer os neurônios. As agulhadas curam ao fazer com que o próprio organismo produza seus remédios.

Quando foi conferir os resultados dos experimentos, Cho notou uma coisa estranha. Alguns voluntários reagiam ao espetão com uma subida no fluxo sanguíneo. Em outros ele baixava. "Achei que era um erro e repeti a experiência. Mas aconteceu o mesmo", conta ele. Foi aí que um dos acupunturistas envolvidos na pesquisa matou a charada. "Yin e yang", disse ele, e apontou entre os doze voluntários quem era o quê.

Na filosofia chinesa, quase tudo gira em torno do equilíbrio entre yin (frio) e yang (quente). Há pessoas yin, tranqüilas como o próprio Cho, e outras yang, agitadas. Já que a terapia age compensando as deficiências de cada paciente, ela aumenta a velocidade com que o sangue flui nos yin e baixa a dos yang.

A primeira imagem mostra o cérebro depois de estimulado por uma lanterna acesa. A área assinalada é o córtex visual.

A segunda foi feita depois da sessão de acupuntura. Repare que a mesma área está iluminada. Isso não quer dizer que o cérebro confundiu a agulhada com uma luz, mas sim que a mesma região foi estimulada. Ou seja, há conexão entre o acuponto e a visão. Na terceira imagem, o córtex visual não foi ativado.

A ilustração registra o momento em que o terapeuta fez furos em um ponto não relacionado à visão, para ter certeza de que os resultados não seriam alterados pela expectativa dos voluntários. Estômago

Tudo o que está ligado ao estresse pode ser vencido pelas agulhas. O tratamento de úlceras e gastrites é eficiente.



Dores

O uso mais comum da terapia é para dores, sejam elas na coluna ou nos músculos, causadas por torções ou por cólicas menstruais. Também serve como anestesia.



Vícios

Assim como o cigarro, o álcool e as drogas, essa terapia mexe com a transmissão de impulsos entre neurônios. Por isso, ajuda a acabar com a dependência.



Respiração

Os resultados também são excelentes para o tratamento de asma e bronquite. Sem falar nas alergias, que ainda desafiam a medicina ocidental.

1. A agulha é enfiada até atingir o tecido muscular. A aplicação, em geral, é quase indolor. Daí o terapeuta começa a girá-la. Nesta ilustração, o ponto estimulado é o anestésico, que fica no tornozelo.



2. Temos vários receptores nervosos diferentes na pele. Cada um para uma sensação (frio, calor, tato, pressão e dor). Os pontos de acupuntura são aqueles onde há nervos que transmitem o sinal de dor.



3. O impulso levado pelo nervo faz com que o interneurônio, uma célula que conecta um neurônio ao outro, produza um opióide — substância que tem efeito analgésico semelhante ao do ópio.



4. O opióide se liga ao neurônio seguinte e bloqueia os sinais de dor. Assim, o corpo todo fica anestesiado.

Diz a lenda que, 5 000 anos atrás, um soldado chinês foi ferido no tornozelo durante uma guerra contra os mongóis. O agressor não o matou, mas fez algo bem mais importante: realizou a primeira aplicação de acupuntura. Ele acertou o ponto anestésico e curou uma enxaqueca que atormentava o adversário.

É assim que os chineses narram o surgimento da sua medicina. Os doze meridianos teriam sido traçados a partir desse primeiro acuponto. Espetando-o com uma agulha, o paciente sente um choque que vai até outro ponto. Estimulando esse segundo, o choque leva ao terceiro, e assim por diante. Hoje, os 1 500 acupontos são acionados com agulhas finíssimas de aço inoxidável, com 1 a 12 centímetros. Dói? Em geral, não. Mas, quanto menos saudável o órgão ativado, mais o paciente sentirá a agulhada. Alimentação

Os chineses equilibram a energia comendo. Gengibre e pimenta são yang, quentes. Tratam a depressão e a sonolência. Melancia é yin, fria, e acalma. Há milhares de ervas medicinais, algumas com eficiência comprovada, como a ma huang (Ephedra sinica), de onde vem a efedrina, que combate a asma, e a qian ceng ta (Huperzia serrata), base da droga Huperzina A, usada contra o mal de Alzheimer



Ginástica

O tai chi chuan é uma espécie de dança com movimentos lentos que mexe as articulações do corpo para fazer a energia fluir nos meridianos e, teoricamente, prevenir doenças.



Massagem

Para dores e doenças leves, bastam massagens nos acupontos. É o tradicional tui-na e seus derivados: do-in, a massagem em apenas um acuponto, e shiatsu, ao longo de todo o meridiano.



Mentalização

Os grandes sábios chineses não usam anestesia quando vão ao dentista. Segundo eles, graças à técnica do tao-yin, controlam com a mente as sensações de frio, calor e dor, as emoções e até o funcionamento dos órgãos. Não precisam de acupuntura